Olá leitores!
A proposta inicial que eu
tenho para o blog é fazer uma viagem pela história da nossa música, pegando
desde o que podemos chamar de seu início até chegar os dias atuais. Desta
forma, cada um de nós poderá aprender um pouco mais sobre esse universo que
nos cerca e de acordo com cada gosto, aprofundar o conhecimento sobre a música brasileira.
Como vocês podem ter notado até agora, a nossa
música é caracterizada por ter influências de diferentes partes do mundo e pela aceitação e pré disposição para fazer experimentações.
Nessa nossa viagem, já falei sobre o seu início, do século XVI ao XIX, a História do Carnaval, o Choro e o nascimento do samba e por último a Era do Rádio. A próxima eu já informo de uma vez qual será: Bossa Nova.
Nessa nossa viagem, já falei sobre o seu início, do século XVI ao XIX, a História do Carnaval, o Choro e o nascimento do samba e por último a Era do Rádio. A próxima eu já informo de uma vez qual será: Bossa Nova.
Mas, para quebrar o clima um
pouco, eu lanço uma das novidades que eu fiquei de anunciar. A partir de agora,
comentarei a respeito de cantores, bandas e compositores brasileiros. Este
espaço será chamado de Galeria dos Imortais.
Para estrear com chave de ouro, apresento um pouco do brasileiro que não teve medo de inventar e unir culturas através da música: Heitor Villa-Lobos.
Para estrear com chave de ouro, apresento um pouco do brasileiro que não teve medo de inventar e unir culturas através da música: Heitor Villa-Lobos.
Quem foi ele?
Ao 5° dia do mês de março de
1887, nascia o filho de Noêmia Villa-Lobos e de Raul Villa-Lobos. Batizado como Heitor Villa-Lobos, teve
desde criança uma boa influência musical, pois seu pai era músico amador.
Com o
pai músico, a presença de músicos em sua residência foi comum desde a sua infância, o que facilitou ainda mais o
seu contato e interesse por ela.
Entre
as influências que recebeu quando criança uma foi determinante para a sua carreira,
J.S.Bach. Mais tarde, essa influência o inspirou a compor as nove Bachianas
Brasileiras.
Durante a sua infância outro fato marcante mudou para sempre a
sua vida, a mudança da sua família para Minas Gerais, o que facilitou que ele
tivesse contato com a música de origem africana e com a música sertaneja.
Em
1903 tornou-se violoncelista de uma orquestra profissional que se apresentava
em hotéis e restaurantes. Assim, começou a ter o seu próprio dinheiro
e entre os seus 18 e 26 anos pode viajar o Brasil conhecendo várias regiões com
culturas e influências diferentes, a fim de pesquisar a música regional. Entre
essas regiões, as que mais despertaram o seu interesse foram a Norte e
Nordeste.
Essa
aproximação com o regionalismo nacional o tornou um músico brasileiro de fato e
em 1915, ele começou a apresentar as suas composições em concertos no Rio de
Janeiro. Infelizmente, a sociedade brasileira que era conservadora, não recebeu com bons
olhos essa novidade e teceu fortes críticas ao compositor. Mas, com todo o
talento que tinha, não havia sociedade retrógada que iria ofuscá-lo. Aos poucos a crítica foi entendendo a sua proposta como músico e
passando a elogiá-lo mais.
Já
em 1922 com a Semana de Arte Moderna em São Paulo, Villa-Lobos pode finalmente
cair nas graças do público e daí em diante, começar a ser ainda mais brilhante.
Pouco tempo depois ele já estava na Europa se apresentando e tendo a sua obra
tocada por importantes orquestras.
De
22 em diante, ficou alternando entre Brasil e Europa. Em 1931, morando
novamente no Brasil, trouxe um plano de Educação Musical que ele vinha
preparando e apresentou à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. O
plano era tão bom que foi aprovado sem dificuldades e a partir daí ele voltou a
morar no país, mas agora com uma nova missão, a de Educador Musical. Colaborou
com o desenvolvimento da educação musical no Brasil durante vários anos e contando
com a carta branca do Presidente Vargas organizou concentrações orfeônicas que
chegaram a contar com mais de 40000 alunos sobre sua regência.
Em
1942 fundou o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico e em 1945 a Academia
Brasileira de Música.
Em
1944 aceitou o convite do Maestro norte-americano Werner Janssen e embarcou
para uma tournê nos Estados Unidos.
Ficou, daí em diante vivendo entre Brasil e EUA, recebendo títulos e condecorações,
compondo, regendo e marcando de vez o seu nome na história da música mundial. Premiando-o como o compositor brasileiro mais famoso de todos os tempos.
No
dia 17 de novembro de 1959, faleceu no Rio de Janeiro, vitima de um
câncer.
Considerações finais: O pouco que conheço sobre Villa-Lobos é através de uns Lp's que tenho em minha casa e também pelo contato que tenho com a violão, seja através do meu tio João Bosco Reis ou então o meu professor de violão, Thiago, que sempre tocam um de seus prelúdios.
Espero que aqueles que não conheciam esse mínimo sobre o Maestro, possam se interessar mais e quem sabe em um futuro próximo, utilizar este espaço para debates e publicações de artigos mais aprofundados.
Extra:
Crônica do Carlos Drummond de Andrade, feita quando
Villa-Lobos nos deixou:
"Era
um espetáculo. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo
redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as
vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando
tudo; quando parecia chegado ao fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em
brisa vesperal, cheia de doçura. Só então se percebia que era música, sempre
fora música.
Assim é
que eu vejo Heitor Villa-Lobos na minha saudade que está apenas começando, ao
saber de sua morte, mas que não altera a visão antiga e constante.
Quem o viu
um dia comandando o coro de quarenta mil vozes adolescentes, no estádio do
Vasco da Gama, não pode esquecê-lo nunca. Era a fúria organizando-se em ritmo,
tornando-se melodia e criando a comunhão mais generosa, ardente e purificadora
que seria possível conceber.
A multidão
em torno vivia uma emoção brasileira e cósmica, estávamos tão unidos uns aos
outros, tão participantes e ao mesmo tempo tão individualizados e ricos de nós
mesmos, na plenitude de nossa capacidade sensorial, era tão belo e esmagador,
que para muitos não havia outro jeito senão chorar, chorar de pura alegria.
Através da
cortina de lágrimas, desenhava-se a nevoenta figura do maestro, que captara a
essência musical de nosso povo, índios, negros, trabalhadores do eito,
caboclos, seresteiros de arrabalde; que lhe juntara ecos e rumores de rios,
encostas, grutas, lavouras, jogos infantis, assovios e risadas de capetas folclóricos"
É isso, até a próxima!

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