8 de fev. de 2012

O final do século XIX e a chegada do XX – Do Choro ao Samba

Introdução:

Como viram, no primeiro artigo deste blog, escrevi sobre a história da nossa música. Busquei informações sobre como começou, quais foram as suas influências, primeiros compositores, até chegar ao século XIX, onde, para mim, começou a ter características que a possibilitou ser chamada de música brasileira.

Eu pretendia finalizar de uma só vez, toda a passagem da música brasileira no século XX. Mas, concluí que em um único artigo é impossível fazer isso. Agora resolvi dividir em partes, a fim de que fique menos cansativo tanto para vocês leitores, quanto pra mim. Hoje, vamos conversar um pouco sobre o início do Choro e do Samba na música brasileira.

Infelizmente, já aviso que esse artigo é apenas de caráter introdutório e muitas passagens importantes do Choro e do Samba não serão tratadas aqui. Não desta vez!

Então, vamos ao que nos interessa...

O nascimento do Choro:

Joaquim Callado
No final do século XIX a palavra ‘’Samba’’ já começava a entrar para o dicionário da música brasileira. De raízes puramente africanas, tanto é que o seu nome é originado da palavra angolana ‘’Semba’’, que era um ritmo religioso e devido à forma como era dançado seu significado na África era ‘’umbigada’’.

Mas, antes mesmo do samba receber as características que tem hoje e se  popularizar no país, veio o Choro. Entre 1865 e 1870 surgiu no Rio Janeiro o grupo ''O Choro do Callado'', fundado pelo flautista Joaquim Callado, onde reunia na mesma música o som que vinha dos salões e da Europa com o som trazido pelos escravos. Assim nascia o Choro e através dele as influências africanas começavam a romper barreiras e a entrar nas classes mais altas da sociedade brasileira.

No início, além da flauta, os instrumentos utilizados eram o violão e o cavaquinho. Com esse novo estilo de se fazer música, o ritmo se difundia pela cidade e as apresentações em clubes e teatros ficavam mais cheias e empolgantes. Callado, às vezes fazia apresentações  solo, utilizando a sua flauta. O seu sucesso chegou a um nível tão alto, que entre seus principais fãs, estavam o escritor Machado de Assis e o Imperador Dom Pedro II.



Quadro Chorinho - Portinari
O choro não nasceu como um estilo musical. A proposta era apenas uma mescla entre diferentes influências musicais já presentes no cotidiano do que era a música nacional no período com a cadência rítmica africana.



Callado, infelizmente faleceu no dia 20 de março de 1880, aos 31 anos, vítima de meningoencefalite.



Os primeiros companheiros de Callado e que são lembrados até hoje pelos seus talentos são o flautista Viriato Figueira e a maestrina Chiquinha Gonzaga, que é tida como a primeira chorona do Brasil. Na passagem do século XIX e início do século XX surgiam outros gênios do Choro e que estão eternizados na música popular brasileira. Entre eles o Pixinguinha, Jacob do Bandolin, Waldir Azevedo e também o Heitor Villa Lobos, que dialogou e compôs obras em diferentes gêneros da nossa música.


O século XX chegou e com ele, o Samba...

O Samba é um gênero tão complexo, que até para falar pouco sobre ele, fica difícil. Mas, vamos trocar uma breve idéia de como foram os seus primeiros anos.

Com toda a certeza, o Samba é o gênero musical brasileiro mais conhecido dentro e fora do país. De origem africana, começou aos poucos, na segunda metade do século XIX, nas regiões onde a presença de escravos era grande. Entre essas cidades, posso citar São Paulo como exemplo. Mas, esse samba que conhecemos e que tomou conta do cenário musical brasileiro, surgiu no Rio de Janeiro.

Por que lá?

Quadro ''Roda de Samba'' - Carybé
De acordo com historiadores o número de escravos no Rio havia aumentado bastante no final do século XIX, devido às plantações de café existentes no Estado. A maioria desses escravos vinha de Salvador – BA. Entre as principais influencias do samba estão o Lundu, a Modinha e o Maxixe.

Em 1917 foi gravado o primeiro samba, ‘’Pelo Telefone’’, composto por Ernesto dos Santos, o Donga e com co-autoria de Mário de Almeida. Graças a eles, o samba começou a fazer parte dos rádios brasileiros e ajudou no surgimento de novos compositores e agremiações que dariam a formato que definitivamente popularizou o samba em todo o território nacional.

No parte II sobre a história do nosso carnaval você pôde conferir como surgiram as escolas de samba no Rio.

Como foi trazido pelos africanos, é comum encontrar pelo Brasil afora nomes e ramificações diferentes, com características mais regionais. Começando pelo Rio, temos o Partido Alto e o Caxambú; Samba de Roda em São Paulo; Bambelô no Rio Grande do Norte e o Batebaú na Bahia. Estes são apenas alguns dos exemplos de nomes e ramificações encontrados no país.


Ao longo do tempo, o samba revelou para o país excelentes compositores, que são merecidamente chamados de poetas. Vou falar aqui só alguns nomes desses poetas e que estão entre os meus artistas preferidos: Noel Rosa, Cartola, Manacéia, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola e Clara Nunes.


Considerações finais:


Ao longo do século XX tanto o Choro quanto o Samba, passaram por altos e baixos e foram vistos inicialmente com certo preconceito pelas classes mais altas da sociedade. Mas com tanta qualidade nesses gêneros, todo esse preconceito e momentos difíceis que passaram foram superados. Hoje, fazem ainda mais sucesso e de certa forma, são os gêneros que mais unem e divulgam o país através da música.


No mais, espero que assim como eu, ao ler o material para preparar esse artigo, vocês possam ter aprendido um pouco mais ao lê-lo.


Até breve!


     Extras: 

  • Existem três vertentes para o nome Choro:
  1. Devido a forma como os músicos começara a tocar violão, em ritmo mais melancólico, choro.
  2. O nome veio da palavra africana Xolo, que representava as festas feitas pelos escravos nas fazendas.
  3. A palavra seria uma corruptela de choromeleiros. 


  • O Dia Nacional do Choro é comemorado no dia 23 de Abril, em homenagem a data de nascimento do Pixinguinha
  • O Dia Nacional do Samba é comemorado no dia 02 de dezembro, em homenagem a data que Ary Barroso pisou em solos baianos pela primeira vez.

Fontes: 


TINHORÃO, J. R. História social da música popular brasileira. São Paulo: Editora 34, 1998. 365 p.

http://www.portaledumusicalcp2.mus.br/Apostilas/PDFs/8ano_06_HM%20Popular%20Brasileira.pdf













2 comentários:

  1. Fala Tonhão, tá bacana pra caramba o blog! Parabéns e bola pra frente... Sei como começar um blog é dificil e muitas vezes pouco recompensador... Mas não desista, o caminho é esse. Com o Receita, fiquei um ano escrevendo pra meia duzia de amigos e hoje é o blog de samba mais visitado do Brasil...

    Algumas considerações: Muitos (eu inclusive) não consideramo o "Pelo Telefone" um samba propriamente dito, pois o ritmo é de maxixe... mas isso é uma discussão interminável que já vem desde os anos 20. Tem um video clássico do Ismael Silva falando sobre isso...

    O samba mesmo, com a estrutura ritmica e melódica que o fez o maior simbolo cultural brasileiro teve inicio com a turma do Estácio, no final dos anos 20. Bide, Ismael Silva, Nilton Bastos, Mano Edgar, Brancura...E aí, como diz a musica "depois surgiu a Favela, Mangueira e mais tarde a Portela...

    Um livro interessante, mas dificil de ser encontrado é o "Samba de sambar do Estácio", que fala exatamente desses três anos (1928-1931) em que o samba virou samba de fato e caiu nas graças do povo.

    Outro livro interessante é o "Partido Alto, samba de bamba" do Nei Lopes. Conta em detalhes e um texto bem acadêmico a história do samba, desde a bahia e o vale do café em são paulo, passando pelo calango mineiro e chegando ao partido alto, pra terminar com o samba em seu modelo atual. Esse livro eu tenho e posse te emprestar...

    Abração

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    Respostas
    1. Valeu pelo comentário e força Terror!! Esse início tem sido bem cansativo mesmo. A minha ideia é fazer um geral sobre a história da nossa música 1°. Com isso, após esse nivelamento, ficará mais fácil aprofundar os debates sobre os gêneros, artistas, discos, documentários, etc...

      Obrigado pelas considerações. Confesso que foi bem difícil falar sobre essa início da história do samba no Brasil, daí fui montando o texto de acordo com as informações mais básicas, o que facilitaria o entendimento do leitor mais leigo também.

      Vou procurar esses livros, nem que seja aqui na internet mesmo (que tem sido a minha principal fonte de informações), daí, na hora de aprofundar os debates, usarei-os. Fiquei sabendo que no ICHS tem bons livros sobre a história da nossa música também.

      Visite sempre o blog!

      Abração!

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