Introdução: Talvez este seja o artigo que
escreverei com maior facilidade, visto que tenho o prazer de tocar nesse bloco há
mais de dez anos e fora isso, desde criança, ser um dos seus admiradores.
No
texto I sobre a História do Carnaval
brasileiro, eu já apresentei como foi o início e quem fundou este importante
bloco. Neste, vou aprofundar um pouco mais e mostrar como foi a sua
transferência para Ouro Preto e como ela possibilitou o caminho do sucesso, resistindo
a todos esses anos, tornando-se hoje um dos principais nomes do carnaval do
nosso país.
Zé Pereira dos Lacaios: passado
e presente de glórias
Fundado
no Rio de Janeiro em 1846, pelo português José Nogueira Paredes, durante 21 anos.
No ano 1876, o seu fundador mudara para Ouro Preto onde seria funcionário do
Palácio do Governo, essa mudança possibilitou uma reestruturação no bloco e
aqui ele foi novamente fundado, agora com um propósito e com a ajuda dos
colegas de trabalho.
Aqui,
tornou-se Zé Pereira dos Lacaios, ou Clube dos Lacaios. Por que ‘’Lacaios’’?
Esse apelido era dado aos funcionários do Palácio do Governo e que eram tidos
como bajuladores. A partir daí, o bloco começou a usar fantasias, com destaque
para o uso de cartolas e fraques, e das lanternas que serviam para iluminar o
caminho por onde o bloco passava.
O
trajeto do bloco inicia-se no bairro Antônio Dias em direção à Praça Tiradentes
passando pelas principais ruas do centro
histórico de Ouro Preto. Lembro de que até uns anos atrás, o bloco, todos os
anos, começava os ensaios no dia 30 ou 31 de dezembro, ali marcava a chegada do
período carnavalesco na cidade. Há muitas décadas o Zé Pereira, merecidamente,
é o responsável pelo desfile de abertura do carnaval da cidade.
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| Geraldo Caboclo |
No
período que antecede o carnaval os membros do bloco saem vestidos com calças
pretas e camisas brancas. Antes apenas camisas sociais brancas eram aceitas,
hoje, devido ao calor e à informalidade do momento, camisas de malha tomaram o
espaço. Além destes membros, os bonecos com mais de 2,5m de altura, aqui chamados
de Baianas e Catitões, acompanham o cortejo do Zé Pereira.
Chegado
o Carnaval é a hora de dar o charme final, nisso o bloco capricha nas fantasias
e demais componentes do clube, tais como o Boi da Manta (figura antiga na
história do Clube e que é carregada por um homem mascarado, abrindo o caminho
para o bloco passar) e as lanternas, iluminadas por velas e que recebem tons
coloridos devido às cores dos papéis e plásticos que a contornam. Um pouco mais
atrás, encontram-se os cariás, divertidas crianças fantasiadas de capeta e que
com lanças afiadas tiram fogo das ruas tricentenárias da cidade.
Mas quem pensa
que para se fantasiar de cariá tem de ser criança, está totalmente enganado,
pois, um dos maiores símbolos dos cariás do clube é um senhor muito conhecido
na cidade e que carinhosamente é chamado de Roque ‘’Mulher Velha’’. No meio
desses cariás ainda estão os seus pais e familiares, que ao tomarem conta dos
filhos, aproveitam para reviver aquele espírito mágico de carnaval que o Zé
Pereira trás.
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| Desfile na Praça Tiradentes |
Entre
essa turminha, desfilam os enormes bonecos do clube e logo atrás, deles,
abrindo a passagem dos músicos, encontramos as lanternas e os clarins, e por
último os demais músicos ao som dos bumbos que fazem a marcação, e caixas de
guerra que dão o ritmo envolvente do toque ‘’Zé Pereira’’;
Por
onde passa, o bloco recebe aplausos e desperta em todos, a sensação de voltarem
ao tempo e com isto, o direito de se emocionarem, principalmente aqueles que já
o conhecem e o tem nas histórias de seus carnavais.
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| Zé Pereira e R. Mulher Velha |
Um
detalhe importante que eu percebo no Zé Pereira é que muitos dos que estão lá
hoje, estão por influências dos pais ou amigos. Além desse detalhe, é muito
bonita também a homenagem que o bloco faz ao passar em frente de casas de
pessoas importantes na sua história, tal como acontece ao passar em frente a
casa do Sr Teófilo Fortes, já falecido, na ponte do Antônio Dias e em frente a
casa do Sr Dodô, membro histórico do clube e que nos deixou há alguns anos.
Além
destas homenagens, todos os falecidos que passaram pela história do clube são
lembrados no dia do desfile oficial na Praça Tiradentes.
Considerações: O bloco não é hoje, nem de longe o
que ele era há um tempo, e por isso, vem passando por muitas críticas, sendo
que muitas têm fundamento, e pela ausência de pessoas importantes que sempre
fizeram parte dela. Mas graças aos esforços daqueles que são responsáveis por
botar o bloco na rua, entre eles o ‘’Jacaré’’ e o Salvador Gentil e à renovação
incrível que acontece, pois a cada ano o número de crianças aumenta, é que o
bloco continua indo para a rua e garantido o bom e velho carnaval de Ouro Preto
para todos.
Um recado final, talvez
mais uma opinião pessoal mesmo:
A Bahia tem os Filhos de Gandhy, Ilê Aiyê, Olodum, etc... todos ao baianos se
orgulham disso. O Rio tem as Escolas de Samba super clássicas, como a Mangueira,
Portela e Vila Isabel e todos se orgulham disso. Em Ouro Preto, cidade sede desse
bloco centenário, o orgulho não pode se diferente!
Vídeos:
Extras:
- A origem do nome se distingue entre duas versões:
- Em certas regiões de Portugal o bumbo era chamado de Zé Pereira
- Na noite de estréia, os foliões ao invés de gritarem ‘’Zé Nogueira’’, gritavam ‘’Zé Pereira’’
- O Zé Pereira, fundado em 1846 foi o primeiro do gênero no país. Todos os demais são ‘’cópias’’ hehe.
- Link com as fotos: http://www.facebook.com/profile.php?id=100003317547249




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